ORT expõem «situação real» ao PR

<i>Lisnave</i> precária

Sem assumir atribuições que são do Governo, o Presidente da República «pode influir no sentido do progresso e não do retrocesso», defendem os representantes dos trabalhadores da Lisnave, numa exposição a Cavaco Silva.

A empresa não cumpre mas o Estado paga milhões

Image 5718

O documento - que, em menos de três páginas, sintetiza a actual situação laboral no estaleiro e recorda os protocolos da Lisnave com o Estado que ficaram por cumprir - foi entregue terça-feira, dia 14, no final da visita do Presidente da República à Mitrena, em Setúbal, por uma delegação das organizações representativas dos trabalhadores.

De «centenas e centenas de trabalhadores» que Cavaco ali viu, a esmagadora maioria tem vínculos precários, embora devessem ser efectivos da Lisnave, se fossem cumpridos os protocolos e acordos já estabelecidos com o Estado e se fosse respeitado o próprio Código do Trabalho.

O PR teve também «oportunidade para ver uns tantos navios», mas estes «muitos mais poderiam ser, «se o País tivesse uma política virada para a produção nacional, que incluísse a renovação e reaptrechamento das frotas mercante e de pesca e transportes fluviais, e se a Lisnave se empenhasse no aproveitamento de todas as potencialidades da sua capacidade instalada», respeitando o que assumiu com o Estado e cumprindo as leis do Trabalho.

Acordo milionário

Os representantes dos trabalhadores - dirigentes e delegados sindicais e membros da Comissão de Trabalhadores - recordam que, em 1997, a empresas proprietária da Lisnave, então integrada no Grupo José de Mello, estabeleceu com o Estado um protocolo, «pelo qual recebeu mais de mil milhões de euros e onde se estabeleceu a obrigação da Lisnave de manter 1339 postos de trabalho». Este número, aceite pela empresa, seria garantido com a entrada de trabalhadores da Gestnave, à medida que fosse saindo pessoal da Lisnave. No fim de 2007, quando terminou a vigência do protocolo, o quadro da Lisnave tinha menos de 300 efectivos, salientando os ORT que, se o compromisso fosse respeitado, passariam para a empresa todos os trabalhadores da Gestnave e da associada Erecta, e «teria ainda de integrar outros com vínculo precário ao serviço no estaleiro».

O incumprimento ficou impune e até foi premiado, com um novo acordo, aceite pelo Governo a 21 de Janeiro de 2008. Os trabalhadores da Gestnave e da Erecta «foram lançados na chaga social do desemprego, uns, e outros na humilhante situação de passarem por uma “empresa instrumental”, continuando a fazer o mesmo trabalho que antes faziam e com igual subordinação hierárquica, mas vendo negada a segurança no emprego e negados ou diminuídos direitos e garantias».

Na longa resistência e firme denúncia de um caso marcado por injustiças e ilegalidades, os trabalhadores em luta chegaram a manifestar-se frente à Presidência da República, em Junho de 2007.

O acordo de 2008 ficaria também por cumprir, nomeadamente quanto à obrigatoriedade da Lisnave de gerar até até ao fim daquele ano um volume de trabalho que não fosse inferior ao número de trabalhadores da Gestnave e da Erecta, os quais teriam prioridade nas necessárias admissões. Eram mais de 200, mas para a «empresa instrumental» de contratação (a Select, de trabalho temporário, que ocupou este lugar sem ser cumprido o que constava no acordo) foram apenas contactados 113.

Na exposição a Cavaco, refere-se ainda a situação dos formandos, «jovens que adquirem saberes e conhecimentos técnicos ou profissionais no Centro de Formação da Lisnave, em cursos apoiados com fundos públicos, e que depois são encaminhados para uma empresa de aluguer de mão-de-obra».



Mais artigos de: Trabalhadores

Forte greve nas autarquias

A greve nacional dos trabalhadores da Administração Local registou, segunda-feira, uma adesão de 70 por cento, superando as expectativas do STAL/CGTP-IN, que a convocou. Foi «um aviso sério ao Governo de José Sócrates».

Por uma escola pública com qualidade

Na tribuna pública «Em defesa da escola pública democrática e de qualidade», instalada na Rua do Carmo e presidida pelo secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, e a dirigente da USL/CGTP-IN, Célia Silva, apelou-se à necessidade...

Polícias concentram-se hoje

Sete sindicatos da Polícia de Segurança Pública convocaram, para hoje, uma concentração, por tempo indeterminado, diante do Ministério da Administração Interna, e solicitaram uma reunião com o ministro das Finanças, para...

Frutos da luta dos ferroviários

As reclamações dos trabalhadores da Refer na estação de Coimbra suscitaram uma exposição do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários à administração, mas esta não dava resposta. «Decidimos marcar uma greve naquele local de...

Como escapar ao «banco de horas»?

O patronato do sector automóvel, apoiado na Administração da Autoeuropa, tem preparado um «contrato colectivo de trabalho», para o qual terá obtido o acordo de organizações suas amigas - revelou o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras,...

Uma imagem de muitos casos...

Esta foto foi-nos enviada por uma leitora, contando que, «sem procurar», a tirou na segunda-feira, de manhã, da sala que ocupa num terceiro andar da Rua D. Luís I, em Lisboa. «Sendo uma ilustração clara da precariedade imposta aos trabalhadores e...